MARINHEIRO
PORRETA
Letra e música
de Francisco O. Freire.
Impróprio para menores
Certa vez
o Lourival
Fez-me uma
narração.
Aconteceu
no carnaval
E doeu-me
o coração.
Se o
público geral
Não gostar
peço perdão,
Mas vou
contar afinal,
Essa
história meu irmão.
Um
marinheiro porreta
Levantou
de madrugada.
Para não
tocar punheta
Foi atrás
de namorada.
Branca,
mulata ou preta
Tanto faz,
vale a trepada.
Encontrou
sua Julieta
Na beira
de uma calçada.
Era Rio de
Janeiro,
Cidade
maravilhosa.
Com um
requebro faceiro,
Ela ficou
graciosa.
Ele, com
um olhar matreiro,
Fuzilou
essa gostosa.
Desejava o
marinheiro
Que ela
fosse generosa.
E a menina
inocente,
Não tão
inocente assim,
Aceitou
sorridente
Uma
cantada chinfrim.
Foi pro
mato ali em frente
E se
deitou no capim.
O que
rolou, minha gente,
Parecia
não ter fim.
Terminada
a orgia,
Ao som de
muitos ais.
Já havia
raiado o dia
E ambos
queriam mais.
Porem o
tempo urgia.
Não
podendo estar em paz,
A menina,
que era a Maria,
Voltou a
casa dos pais.
Mês e meio
decorrido,
Sintomas
apareceram.
O pai, que
era temido,
Ficou
muito cabreiro.
Filha,
quem foi o bandido?
Minha casa
não é puteiro.
Nove
meses, neto nascido,
Foi atrás
do marinheiro.
Não sou
pai de prostituta.
Contas
vais ter que pagar.
Eu sou um
homem de luta,
Por menos
não vou deixar.
Usarei a
força bruta,
Se acaso
eu precisar.
Quem
aproveitou da fruta,
Fodeu, tem
que casar.
O
marinheiro, que era o Dé,
Resolveu
desconversar
Ora, homem,
tenha fé.
Sua filha
vai casar.
Assim que
pode deu no pé,
Deixou o
velho pra lá.
Foi atrás
de outra mulher.
O pai que
vá se danar.
O velho,
então furibundo,
Ficou da
cor de mostarda.
Em menos
de um segundo
Lançou mão
de uma espingarda.
Com rancor
mais que profundo
Marchou
firme e pôs-se em guarda.
Iria até o
fim do mundo
Pra matar
o homem da farda.
Procurou aqui
e ali,
Não
encontrou mais ninguém.
Desse
grande abacaxi
O velho
ficou refém.
Só não fez
haraquiri,
Pela filha
e seu neném.
E o Dé não
estava nem aí
E passava
muito bem.
Quando a
poeira assentou
O Dé ficou
mais prudente.
Não mais
virgem assediou.
Só mulher
experiente.
Tantas
delas encontrou
Que ficou
muito contente.
Mas o que passou,
passou.
Tudo bem,
bola pra frente.
Toda
história tem um fim,
Também
esta tem final.
Contei
tintim por tintim,
Só não sei
se pegou mal.
Aconteceu
mesmo assim,
Tudo isso
é normal.
Se alguém
duvidou de mim,
Que
pergunte ao Lourival.