sábado, 2 de julho de 2016

PÍLULAS 1



PÍLULAS 1


Quando estudava francês no ginásio, a professora mandava ler um trecho do livro. Quando queria que parasse dizia: Jusque ici. Eu ficava imaginando: O que será que ela já esqueceu?

Gostaria que alguém me dissesse o que significa George Washington. Sempre pensei que fosse George lavando (washing) Tom. Mas acho que estou enganado, porque não existe George  lavando Jerry, ou seja, George Washingjerry. 

Tive um colega de nome Olavo Pires de Queiroz. Claro que me contive. Mas deu-me vontade de perguntar: De quem mesmo você lava o pires?

Eu não entendo mesmo o idioma português. Existe um instrumento agrícola chamado arado. O arado é ativo, não passivo. Passiva é a terra, penetrada pelo arado.  Esse instrumento deveria chamar-se arador, arante ou aradeiro.  Como trabalhador: que trabalha; governante: que governa; ou costureiro: que costura.

Essa é de George Bernard Shaw. Ele dizia que fish podia ser escrito assim: ghoti, onde gh soa f, como em enough; o soa i, como em women e ti soa sh como em nation.

Há uma famosa atriz britânica cujo nome é Vanessa Redgrave. Vanessa Túmulo Vermelho. Tenham dó!

Alguém, achando que eu sabia inglês, me perguntou: What sound you? Respondi: Não, o ó tem som de ó. O u é que tem o som de u.

Há exclamações curiosas. Por exemplo: Puxa vida! Dá margem a que se diga: Não puxo, não puxo. Outra, que não existe no vernáculo, mas que se ouve por aí é: Putisgrila! Para essa cabe a correção Put is not grila.

Ouvi falar de um japonês, em Paranavaí-PR, de nome muito estranho. Naquele tempo O Banco do Brasil funcionava assim: você entregava o cheque no balcão. O cheque era contabilizado e entregue ao caixa para pagamento. Este então chama o cliente: Saitoko Nakama. A gargalhada era geral.  

Por falar em Paranavaí, dizem que o nome da cidade originou-se de um episódio interessante. Uma família estava acampada nas imediações da futura cidade, num terreno muito próximo a um precipício. Quando a mãe viu seu filhinho correndo na direção do abismo, gritou apavorada: Para, não vá aí.

Voltando a nomes curiosos, existe o prenome japonês Hideo assim como existe o sobrenome Oku. Nunca vi os dois juntos. Mas não vão imaginando coisas. O H de Hideo é aspirado.

Antes de entrar para o Banco do Brasil, todo mundo me tratava por Francisco. Lá alguns são chamados pelo prenome, outros pelo sobrenome. Eu passei a ser Freire.  No começo, como não estava acostumado, as pessoas me chamavam e eu nem aí. Alguém precisa tocar em meu ombro e dizer: Freire, estão te chamando ali.

A propósito, havia lá um colega de sobrenome extravagante. Eu não tinha muita ligação com ele, mas um dia, conversando com outro colega, precisei mencioná-lo e escapou: O Bundira etc. Fui repreendido: Não fale assim. O nome dele é Stanislaw.

Uma mancada do nosso vernáculo é o lugar comum “ledo engano”. O lugar é bastante comum, porém ledo não é tão comum assim. Tenho certeza de que você está ledo, porque é um dos poucos que conhece o significado.

Certa vez, na Bahia, houve um concurso para encontrar rima para lâmpada. O vencedor,  cujo nome desconheço,
saiu-se com essa:

"Dizem que certo vigário
"encomendou uma lâmpada
"para homenagear a estampa da
"Virgem Santa do Rosário".


Disseram-me que não há rima para mãe. Inspirado na estrofe acima, decidi aceitar o desafio e eis o resultado:
Não há rima para mãe,
mas pode ser feita assim:
Eva comeu a maçã e
teve seu filho Caim.


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