quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PÍLULAS 5

                                    PÍLULAS 5

A IBM (International Business Machines) possui um Centro Educacional Residencial na Gávea, Rio de Janeiro. Funciona como escola e hotel para os participantes. Certa vez estive lá, com alguns colegas do Banco Central e de outras empresas para assimilar as novidades na área de informática. Nos intervalos das palestras íamos para uma sala onde, entre outras coisas havia uma mesa com uma profusão e variedade de bebidas e petiscos de chamar a atenção. Era chá, café, sucos, refrigerantes, sanduiches, biscoitos, bolos etc. a ponto de alguém sentenciar que IBM era, na verdade, a sigla de “Instructions Between Meals”.

Um senhor chamou seu empregado e lhe ordenou:                            -Vá a este endereço, pergunte pela sra. Erda e entregue-lhe este pacote.
-Mas senhor, arguiu o moço, não vou me lembrar do  nome dessa senhora.
-É fácil, lembre-se dos dejetos que nosso organismo expele e suprima a letra inicial.
Lá se foi nosso personagem todo compenetrado e em chegando indagou:
-A sra. Osta se encontra?


Esta eu devo ao meu amigo e colega Vicente Petinati, que me narrou os detalhes. Um certo colega, a cujo nome falta a primeira letra para se tornar constrangedor, chama-se Enis. Para sua tristeza, foi chamado pelo nome impróprio e ficou aborrecido. Nunca mais me chame assim, disse. Comentando o ocorrido com o Geraldino, este, espirituoso e sarcástico como sempre, tranquilizou o Petinati com estas palavras:
-Está tudo bem, ele já mudou de nome.
-Qual o nome dele agora?
-Aralho.  

O idioma português tem suas manhas: o aumentativo de algumas palavras do gênero feminino, mudam de gênero e de significado. Mulherão, por exemplo, não é uma mulher enorme, mas uma cujos dotes físicos são apreciáveis. Batalhão não é uma batalha com milhões de combatentes, mas um agrupamento de soldados formando uma unidade militar comandada por um oficial de patente elevada. Palavrão, não é uma palavra com muitas sílabas, como paralelepípedo, mas uma palavra cujo significado ofende ouvidos puritanos e pode ser bem pequena, com apenas duas letras. 

No Banco do Brasil, o Plínio era um chefe de mau humor e certa agressividade verbal. Quando precisava de uma informação, a resposta tinha de ser pronta e correta, senão era bronca na certa. O Esgalha, um de seus subordinados, saiu-se bem neste episódio: O Plínio entrou no recinto do computador, dirigiu-se ao Esgalha e perguntou: -Cadê aquela fita? (magnética).                                         O Esgalha, que não sabia de que fita se tratava, respondeu:
-Está no outro.
Plínio: -Que outro?
Esgalha: -Que fita?

Nossa estimada colega Maria Quinzani, certamente tinha mais idade que seu nome sugeria, talvez trentuno ou quarantadue ani. Era seu aniversário. Na hora do lanche, quando estava recebendo os parabéns dos amigos o Corazza falou:
-Agora o nome dela passa a ser Maria Dezesseis-ani.
Obrigado, Petinati, por essa dica.

Corriam os anos 60 e a revolução sexual estava nos seus primórdios. Mulher solteira virgem não era raridade como hoje. No Banco do Brasil havia duas colegas irmãs, cujos nomes fictícios são Joana e Ivana. Ivana, a mais nova, era um mulherão e já tinha perdido a virgindade como era do conhecimento geral. Quanto a Joana, estava se guardando para seu futuro marido. Um dia, numa conversa entre amigos, resolveu desabafar. Tinha trinta anos. Iria esperar até os trinta e cinco. Se não se casasse iria liberar geral. A gozação não se fez esperar:
-Eu sou o primeiro da fila.
-Não se esqueça de mim.
-Eu também quero.
Timidamente, com um sorriso discreto, afastou-se do grupo com muita pressa.

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