terça-feira, 1 de novembro de 2016

PÍLULAS 6

                                PÍLULAS 6

Dois operários estavam se entendendo sobre quem deveria fazer um buraco no chão para darem continuidade à obra, quando um deles disse: Vá cavá-lo. Quase saíram no tapa, porque o outro achou que tinha sido chamado de cavalo. Essa língua portuguesa...

Um burocrata foi levar um documento para que outro assinasse e se apresentou: Por favor, leia e se o senhor acordar (estiver de acordo) assine. Como no caso anterior, quase foram as vias de fato.

Mote: Verão
Esse horário de verão
É um grande estrupício.
Quem o fez, fê-lo em vão.
Precisa acabar com isso.

A língua portuguesa é injusta com as mulheres. Por exemplo, o advérbio de modo, muitas vezes, é formado de um adjetivo feminino acrescido da desinência mente. Assim: bela mente, caridosa mente, feia mente, perdida mente, submissa mente etc. Levando isso em consideração todas são mentirosas.

Tinha chovido muito e uma carreta estava atolada na lama de uma estrada de terra no interior do Maranhão. Trouxeram um trator, mas não conseguiu puxar a carreta pois estava muito carregada. Do nada apareceu um caipira montado num jumento, logo inteirou-se do ocorrido e falou: “deixem que o jumento faz o serviço”. Gargalhada geral.  Só de sacanagem, um dos presentes  convenceu os demais a tentarem o jumento. Tiraram o trator e atrelaram o animal. “Vai, diabo. Vai diabo”. O caipira batia no jumento e nada. Então ele adotou outra estratégia. Chegou bem perto do jumento, encostou a boca no ouvido dele e ameaçou: “Tu qué voltar pro Piauí, seu desgraçado?” Foi o bastante. Num tranco o jumento desatolou a carreta.

Já que estamos falando de atolado, façamos uma reflexão. A palavra doido é radical de adoidado, que age como doido. A palavra maluco gerou amalucado. Porque a palavra tolo não deu origem a atolado significando que age como tolo? Em vez disso, temos atoleimado. Qual a relação etimológica entre atolado e um objeto que está meio enterrado na lama? Se alguém souber, por favor...

Há muito tempo o telegrama era um meio  rápido e eficiente de comunicação. Poucas pessoas possuíam telefone. Computador, nem pensar. Como a tarifa era cobrada por palavra os telegramas eram lacônicos. O laconismo as vezes gerava cacofonia que não era notada pelo emitente do telegrama. Eis alguns telegramas de que tive conhecimento: “Perdi o trem. Sigo Urucu”, informando uma rota alternativa. “Machado, inchada foi-se”, informando ao Sr. Machado que sua esposa que tinha uma doença que lhe causava inchaço, havia falecido. “Levei pau. Descansarei aí amanhã”, moça comunicando ter sido reprovada no vestibular e que voltaria à sua cidade no dia seguinte. É interessante notar que descansar, além de outros significados, também quer dizer dar à luz.

Mote: Hospício 
Se estás em um hospício
E pensas ser passarinho 
Não tenho nada com isso
Mas não saias do teu ninho. 
No hospício há outro louco
Que pensa que é um gato. 
Não te pegou por um pouco,
Vociferando “te mato”.





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